Mubarak desiste de tentar reeleição e promete transferir o poder no Egito

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Pressionado por 8 dias de protestos, presidente promete sair em setembro.
Coalizão oposicionista levou multidão às ruas e pediu sua saída imediata.


O presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou na noite desta terça-feira (1º) que não vai concorrer à reeleição em setembro, depois de oito dias de crescentes protestos populares contra seu contestado governo, que terminaram com mais de 100 mortos no país.
Mubarak, que está há 30 anos no poder, afirmou que, nos meses que restam de seu quinto mandato, vai ajudar a cumprir as exigências da coalizão de forças oposicionistas que o desafia -inclusive, fazer reformas do judiciários que ajudem a combater a corrupção.
Em discurso transmitido pela TV estatal, ele disse que o país atravessa um "momento difícil", que a prioridade é a "estabilidade da nação" e prometeu dialogar com todas as forças da oposição.
Na Praça Tahrir, palco dos principais protestos desta terça, manifestantes gritavam slogans contra Mubarak, rejeitando sua proposta de transição, e prometiam continuar a pressão.
A oposição, que hoje organizou grandes protestos nas principais cidades egípcias, havia exigido sua saída imediata para iniciar negociações. Ainda não estava claro como os oposicionistas reagiriam ao anúncio.
Também nesta terça, o rei da Jordânia -outro importante aliado dos EUA no mundo árabe-anunciou uma mudança no governo do país, também depois de protestos populares.
Protestos de rua
A oposição aumentou a pressão nesta terça pela sua saída, ao realizar grandes manifestações populares que tentaram reunir um milhão de pessoas nas ruas de várias cidades contra o governo, que era contestado por conta da má situação econômica da maioria da população
A Irmandade Muçulmana havia anunciado, em nome da coalizão de grupos de oposição no Egito, que só começaria a negociar quando Mubarak deixasse o poder.
"Nossa primeira condição é que Mubarak saia", dizia comunicado divulgado mais cedo nesta terça. "Só depois disso o diálogo pode começar com o establishment militar sobre os detalhes para uma transição pacífica de poder."
O ex-diplomata Mohamed ElBaradei, um dos principais nomes da oposição, disse em entrevista à TV Al Arabiya que Mubarak deveria deixar o país no máximo até sexta-feira, e que seria necessária uma discussão ampla para definir o futuro político do país após sua saída.
Frank Wisner, enviado do presidente dos EUA, Barack Obama, teria encontrado Mubarak, segundo fontes do governo dos EUA, antes do discurso. Ele teria enviado ao egípcio uma mensagem de Obama sobre a necessidade de uma "transição pacífica" no país.
O Exército, cumprindo o prometido na véspera, não reprimiu os manifestantes, no oitavo dia seguido de protestos populares contra o regime.
Tanques do Exército guardaram os principais acessos à praça, e helicópteros militares sobrevoavam o local, mas sem intervir.
Sindicatos também haviam convocado uma greve geral por tempo indeterminado, no país praticamente já paralisado pelos protestos.
As autoridades tentaram limitar os deslocamentos da população e obstruir ao máximo os contatos dos organizadores dos protestos da terça.
O Exército fechou os acessos ao Cairo e a outras cidades onde foram convocadas passeatas.
A autoestrada que liga Alexandria ao Cairo foi bloqueada a um quilômetro da capital por um posto de controle militar.
Uma longa fila de caminhões de mercadorias e automóveis aguardava autorização para passar, mas os soldados impediam o avanço de veículos para a capital.
Quase 50 mil pessoas se reuniram diante da mesquita Qaed Ibrahim e da estação de trem, no centro de Alexandria, segunda maior cidade do Egito.
Também houve manifestações em Ismailia e cem idades no delta do Nilo, como Tanta, 


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