Brasil precisa crescer mais com crédito privado, diz BNDES

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Taxa de investimento precisa alcançar 23% do PIB, segundo Coutinho.
BNDES é hoje o 'único financiador de longo prazo.

O Brasil precisa elevar sua taxa de investimento para garantir um crescimento anual sustentado acima de 5%  e o governo prepara medidas para que o setor privado tenha uma participação maior no financiamento de longo prazo já a partir de 2011, disse o presidente do BNDES.
Segundo Luciano Coutinho, a taxa, que hoje gira em torno de 19% do PIB, precisa subir para algo em torno de 23% a 24%, sem que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social amplie sua participação nos empréstimos.
"Nossa (expectativa) é que todo incremento possa ser financiado pelo setor privado", afirmou durante entrevista no Reuters Brazil Investment Summit nesta segunda-feira (22), acrescentando que o banco está pronto para anunciar medidas nesse sentido.
Coutinho disse que o BNDES é hoje o "único financiador de longo prazo", mas mudanças sobre impostos e depósitos compulsórios podem ajudar a criar as condições para que o setor privado aumente seus financiamentos. Poderiam ser concedidos benefícios fiscais para o investidor que o incentivassem a procurar aplicações de prazos mais longos, em detrimento dos papéis vinculados à Selic.
Críticas
Os comentários ocorrem em meio a críticas de parte do mercado que vê um excesso do BNDES em sua ofensiva iniciada em 2008 para tentar conter os efeitos da crise, e que isso poderia causar distorções na economia.
Desde 2009, o governo já repassou cerca de R$ 200 bilhões em empréstimos ao BNDES para aumentar a capacidade do banco de conceder empréstimos. Os investimentos de longo prazo no país mapeados pelo BNDES consumiram cerca de R$ 1 trilhão no período 2006-09, disse, e esta conta deve subir para cerca de R$ 1,6 trilhão entre 2011 e 2014. Os desembolsos do BNDES, contudo, devem parar de crescer. Para 2011, a estimativa de Coutinho é de que o banco ofereça um volume de financiamento similar ao deste ano, de cerca de R$ 146 bilhões.

 

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